domingo, 21 de agosto de 2011

O Chuveiro

            Já eram nove e meia da noite quando Kate resolveu tomar banho. Ela fechou a porta do banheiro e começou a se despir.
            Retirou lentamente cada roupa do seu corpo, começando pela camiseta até as meias, desprendeu seus cabelos negros e sedosos que se realçavam junto à sua pele branca e macia. A única coisa que pensava no momento era sobre a festa que iria na sexta-feira, que suas amigas haviam combinado para comemorar, pois, Kate tinha acabado  de passar no vestibular, enfim estava satisfeita, um dos seus maiores medos era não conseguir ingressar numa faculdade e por conseqüência, não arrumar um trabalho bem remunerado.
            Kate ainda morava com seus pais, faltavam cinco meses para ela completar dezoito anos. O banheiro da casa de seus pais não era muito grande, sua família era simples, mas no sentido de grandeza material, pois, financeiramente, eles estavam muito bem!
            Agora, depois de se despir toda, adentrou no Box do banheiro, observou se a temperatura estava como desejava, girou a maçaneta do chuveiro, e então milhares de gotas d’água começaram a cair. A água estava quentinha, agradável, perfeita. Ela ia se ensaboando, passava lentamente o sabonete pelo corpo, depois despejou um pouco do xampu em suas mãos e começou a passá-lo em seus cabelos.
            
            Depois de dez minutos embaixo do chuveiro, Kate começou a sentir que a temperatura da água estava aumentando, cada vez mais, tentou regular a temperatura, mas não conseguiu, então apressadamente tentou desligar o chuveiro, sem sucesso,pois a maçaneta parecia estar emperrada porque não girava, e foi aí que, quando Kate tentou abrir o Box para sair dali, a mangueira do chuveiro ficou viva de repente e se enrolou no pescoço da jovem.
            A mangueira ia apertando cada vez mais e Kate começou a se sufocar, a mangueira a apertava tanto que seus pedidos por socorros eram inúteis, ela não conseguia falar. O ar ia se tornando escasso e a agonia era enorme, a água estava tão quente que a pele da jovem em um tom muitíssimo avermelhado começava a se descascar formando bolhas. Todo o sofrimento durou apenas alguns segundos, a dor era tanto que Kate acabou falecendo, ali, queimada e sufocada pelo seu próprio chuveiro, ás dez da noite, todos seus sonhos acabados, sua alegria, tristeza, dor e medo foram embora naquele exato momento.



sábado, 6 de agosto de 2011

O Encontro

            Ele analisava minuciosamente a garota, ela usava um tênis de marca que aparentava ser caro pelo modelo, estava com uma calça que não era muito apertada, mas era possível distinguir as curvas de sua perna, vestia uma camiseta vermelha de malha fina com uma dessas estampas de “moda” que os jovens costumam usar hoje em dia.
           
            - Quantos ficaram os dois ingressos para a sala dois?
            - Vinte e dois reais!- respondeu a vendedora
            - Pronto!
            - Obrigado senhor, tenham um bom filme!
            - Obrigado!

            Mesmo com o ambiente escuro, ainda parecia possível notar a falta de expressão no rosto da garota, seus olhos estavam na direção da tela, porém era como se ela não estivesse assistindo o filme. Bom, o importante é que ele havia conseguido finalmente convidá-la para sair, há semanas lhe fazia convites, todos sempre recusados, até que hoje ela finalmente aceitou.

            Haviam passado exatamente cinqüenta e seis minutos desde o começo do filme quando ela virou-se em direção a ele, se aproximou, tocou os lábios dele com os seus. Lentamente surgia aquela sensação que só o beijo proporciona, arrepio e aceleração cardíaca.
            A sala estava escura, só havia os dois ali. Ele sentiu um desconforto durante o beijo, era como se a boca da parceira estivesse mudando de forma, sua língua parecia aumentar de tamanho e foi nesse momento que ele abriu os olhos, e se assustou com o que viu. A boca da garota havia dobrado de tamanho e continuava a aumentar, sua boca lembrava a de um leão e dela saia um cheiro de carniça. Ele estava paralisado, pois aquela forma sinistra que enxergava diante de si era assombroso, horrendo. O rosto da moça possuía agora um aspecto macabro.

            Em um só movimento ela abocanhou a cabeça dele e a partir daí começou a engolir o resto do corpo, que se debatia em agonia. Era possível ouvir os ossos se quebrando, ruídos que os dentes da criatura faziam ao mastigar a carne, formou-se uma enorme poça de sangue no chão embaixo dos dois. Depois de engolir praticamente todo o corpo e a roupa da vitima, a forma de seu rosto voltou como era antes, porém agora apresentava uma expressão de satisfação. Embora o ato tenha sido sangrento, não apresentava em si, sinais do que aconteceu, nenhuma gota de sangue em seu corpo.
             Saiu da sala, caminhou pelo hall de entrada do cinema até o banheiro, e quando entrou no sanitário, desapareceu. 


(Escrito ao som de Muse)