sábado, 6 de agosto de 2011

O Encontro

            Ele analisava minuciosamente a garota, ela usava um tênis de marca que aparentava ser caro pelo modelo, estava com uma calça que não era muito apertada, mas era possível distinguir as curvas de sua perna, vestia uma camiseta vermelha de malha fina com uma dessas estampas de “moda” que os jovens costumam usar hoje em dia.
           
            - Quantos ficaram os dois ingressos para a sala dois?
            - Vinte e dois reais!- respondeu a vendedora
            - Pronto!
            - Obrigado senhor, tenham um bom filme!
            - Obrigado!

            Mesmo com o ambiente escuro, ainda parecia possível notar a falta de expressão no rosto da garota, seus olhos estavam na direção da tela, porém era como se ela não estivesse assistindo o filme. Bom, o importante é que ele havia conseguido finalmente convidá-la para sair, há semanas lhe fazia convites, todos sempre recusados, até que hoje ela finalmente aceitou.

            Haviam passado exatamente cinqüenta e seis minutos desde o começo do filme quando ela virou-se em direção a ele, se aproximou, tocou os lábios dele com os seus. Lentamente surgia aquela sensação que só o beijo proporciona, arrepio e aceleração cardíaca.
            A sala estava escura, só havia os dois ali. Ele sentiu um desconforto durante o beijo, era como se a boca da parceira estivesse mudando de forma, sua língua parecia aumentar de tamanho e foi nesse momento que ele abriu os olhos, e se assustou com o que viu. A boca da garota havia dobrado de tamanho e continuava a aumentar, sua boca lembrava a de um leão e dela saia um cheiro de carniça. Ele estava paralisado, pois aquela forma sinistra que enxergava diante de si era assombroso, horrendo. O rosto da moça possuía agora um aspecto macabro.

            Em um só movimento ela abocanhou a cabeça dele e a partir daí começou a engolir o resto do corpo, que se debatia em agonia. Era possível ouvir os ossos se quebrando, ruídos que os dentes da criatura faziam ao mastigar a carne, formou-se uma enorme poça de sangue no chão embaixo dos dois. Depois de engolir praticamente todo o corpo e a roupa da vitima, a forma de seu rosto voltou como era antes, porém agora apresentava uma expressão de satisfação. Embora o ato tenha sido sangrento, não apresentava em si, sinais do que aconteceu, nenhuma gota de sangue em seu corpo.
             Saiu da sala, caminhou pelo hall de entrada do cinema até o banheiro, e quando entrou no sanitário, desapareceu. 


(Escrito ao som de Muse)

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